O dólar perdeu força globalmente em agosto, após registrar em julho seu melhor desempenho no ano, à medida que investidores se preparam para uma economia mais fraca e cortes nas taxas de juros.
O Bloomberg Dollar Spot Index caiu 1,6% neste mês, reduzindo o avanço de 2,7% em julho — o primeiro mês de alta desde a posse do presidente Donald Trump.
Wall Street projeta que a moeda de reserva global continuará a trajetória de queda de 8% no ano, diante de sinais de desaceleração da economia e da expectativa de que o Federal Reserve volte a cortar os juros.
Nesse cenário, Trump tem questionado tanto a credibilidade do banco central quanto a confiabilidade dos dados econômicos, o que mina ainda mais o apelo do dólar.
“Há implicações de longo prazo nas recentes ações do governo dos EUA”, disse Jayati Bharadwaj, chefe de estratégia cambial do TD Securities, em relatório divulgado na quarta-feira. “Isso corrói o status do dólar como ativo de segurança, e o prêmio de risco deve começar a pesar sobre a moeda.”
A análise técnica também aponta para uma tendência de baixa. Segundo os preços de opções apurados até quinta-feira, os operadores esperam uma leve desvalorização do dólar nos próximos três a seis meses.
O índice da moeda americana caiu abaixo da média móvel de 100 dias no início de março e permanece abaixo desse nível desde então. Duas tentativas de rompimento falharam neste mês, mantendo a média como uma resistência importante.
A preocupação com a independência do banco central afeta o apelo do dólar, especialmente após Trump tentar destituir a diretora do Fed Lisa Cook, que afirmou que pretende resistir. Na quinta-feira, Cook entrou com uma ação judicial contra o presidente, dando início ao que promete ser uma longa disputa.
Existe um “risco real” de que vários presidentes de bancos regionais do Fed sejam removidos de seus cargos no próximo ano, devido a manobras politicamente motivadas pela Casa Branca, alertou Lael Brainard, ex-vice-presidente do Fed.
“Se Trump redefinir a relação com o Fed, isso se aproxima da dinâmica que vemos em mercados emergentes — e esse tipo de movimento dificilmente favorece a moeda”, afirmou Sahil Mahtani, diretor do Instituto de Investimentos da gestora Ninety One, em Londres.
FONTE: INFOMONEY