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Bolsa sobe antes e depois da queda da Selic. Como aproveitar? Veja setores que bombam

Sexta, 22 Agosto 2025

O ciclo de cortes de juros no Brasil tem data para começar, segundo boa parte do mercado: início de 2026. E para a bolsa de valores, essa expectativa é como ouvir o sinal de largada para alta. O histórico dos últimos 20 anos mostra que o Ibovespa subiu tanto antes da tesourada como após o afrouxamento monetário, criando uma janela de oportunidade para investidores.

É o que revela um estudo feito por Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, a pedido do InfoMoney. O material, que analisou os cinco últimos ciclos de queda de juros no Brasil, também mapeou quais setores tiveram os melhores e piores desempenhos nesse cenário.

“Os dados mostram que o mercado costuma antecipar os ciclos de queda da Selic, com os maiores retornos ocorrendo antes do primeiro corte. Isso significa que esperar o início oficial do ciclo pode significar perder parte relevante da valorização”, alertou a especialista.

Histórico de ciclos

No dia 15 de setembro de 2005, por exemplo, o Copom fez um corte de 0,25% após 17 meses de alta, derrubando a Selic para 19,75%. Nos 12 meses antes da decisão, o Ibovespa havia acumulado alta de 31,4%, e nos seis meses antes, uma valorização de 6,4%. Após o corte, a trajetória positiva continuou, com ganhos de 27,8% em apenas seis meses e de 23,1% em 12 meses.

“O ciclo de 2005 a 2008 foi longo e profundo, com a Selic caindo de 19,75% para 11,25% em cerca de dois anos e meio. Essa queda consistente deu suporte a um rali amplo do Ibovespa, que se espalhou também pelos setores mais sensíveis ao crédito”, lembrou Bruna.

O movimento também se repetiu em 2016, quando a bolsa subiu 35,7% no ano anterior ao início do ciclo de queda dos juros e 20,7% nos seis meses antes. No período seguinte, entregou mais 19,6% em 12 meses, embora os seis meses posteriores tenham sido de estabilidade, com leve alta de 0,5%.

“O ciclo iniciado em 2016 foi o mais longo e profundo da história recente: de 14,25% até 2% em mais de quatro anos. Com inflação controlada e ambiente de recuperação, esse foi o ciclo em que a queda de juros teve maior impacto positivo e duradouro sobre a Bolsa”, disse Bruna.

Em 2023, último recorte do estudo, o padrão voltou a se confirmar: alta de 16,2% nos 12 meses anteriores e de 11,1% nos seis meses antes, seguida por um desempenho mais moderado — 4,3% em 12 meses e 5,6% em seis meses.

Há, porém, exceções. Em 2009, no auge da crise financeira global, o Ibovespa caiu 30,1% nos 12 meses anteriores e mais 33,7% nos seis meses antes do corte. Depois, reagiu com força: alta de 74,7% em 12 meses e 40,5% em seis meses. Já em 2011 ocorreu o contrário: a bolsa caiu 13,3% no ano anterior e 14,6% nos seis meses antes, e não encontrou fôlego mesmo após a decisão, acumulando perdas de 1,8% em 12 meses – embora tenha conseguido subir 13,5% nos seis meses seguintes.

“É importante destacar que os cortes de juros não atuam isoladamente sobre os preços dos ativos. Em 2009, por exemplo, o ciclo de cortes começou após a crise financeira global de 2008. Nesse caso, os retornos negativos antes do corte refletem a forte volatilidade e aversão ao risco do período, enquanto os retornos positivos após o início do ciclo foram impulsionados pela recuperação dos mercados globais”, disse Bruna.

 

FONTE: INFOMONEY