Em meio ao aumento da inadimplência no agronegócio, o Banco do Brasil anunciou que será mais seletivo no crédito para o setor e que acionará judicialmente escritórios de advocacia que, na avaliação do
"Nosso jurídico está analisando os escritórios que estão orientando de forma ostensiva contra o Banco do Brasil e avaliando a possibilidade de acioná-los judicialmente", disse Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil (BB).
Segundo ela, o objetivo é destacar que alguns escritórios estão utilizando a recuperação judicial (RJ) de maneira "ostensiva", antes mesmo de os produtores tentarem renegociar suas dívidas diretamente com o banco. Alguns deles, apontou a executiva, estariam fazendo propaganda em redes sociais para que os produtores não paguem suas dívidas e entrem com pedidos de RJ.
De acordo com a executiva, ainda existem pedidos de RJ de clientes do banco, mas sem o mesmo crescimento observado entre o final de 2024 e o início de 2025.
"Agora, estamos entendendo melhor esse processo, que foi algo novo tanto para o mercado quanto para nós, e estamos conseguindo oferecer uma consultoria mais eficaz aos nossos clientes, evitando que muitos deles entrem nesse processo de RJ", diz.
Banco do agro
No Banco do Brasil, 30% da carteira de clientes é composta por produtores do setor agro. Além disso, o BB é responsável por metade do financiamento do agronegócio brasileiro, o que o torna mais vulnerável às flutuações do setor o banco é o principal financiador do Plano Safra.
A inadimplência atual é resultado da seca de 2023 e das enchentes no Sul em 2024, segundo a presidente do BB. Ao todo, são 20 mil clientes do setor agro com contas em atraso há mais de 90 dias, de um total de um milhão – 2% da base. Entre esses devedores, 74% são clientes que nunca haviam apresentado inadimplência com o banco até 2023.
Além disso, 52% dos inadimplentes estão nas regiões Centro-Oeste e Sul do país, e estão alavancados (com dívidas) em soja, milho e pecuária.
A maioria dos produtores que entraram com pedidos de RJ são grandes produtores rurais de pessoa física, atendidos pelo braço de private banking da instituição.
Medeiros também destacou que o banco acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o problema de advocacia predatória, como classificou.
FONTE: Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/agro/com-20-mil-devedores-no-agro-bb-aperta-o-freio-e-vai-processar-escritorios-de-advocacia/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento